sábado, 27 de abril de 2013

O homem que sabia javanês - resenha

           O homem que sabia javanês é um conto escrito por Lima Barreto, que narra a história de Castelo, um malandro que, no começo do século XX, finge saber falar javanês para conseguir um emprego e, afinal, fica famoso como um dos únicos tradutores desse idioma. O conto foi publicado pela primeira vez no jornal Gazeta da Tarde do Rio de Janeiro, em 28 de abril de 1911, posteriormente foi incluído na coletânea "O homem que sabia javanês e outros contos". Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 1881, onde morreu em 1922.
Castelo encontrou-se com seu amigo Castro e, num bar tomando uns copos de cerveja, contou a ele as malandragens que tivera que fazer para sobreviver. Castelo, era nomeado cônsul, mas, em outros tempos passou por momentos difíceis. Foi quando teve a oportunidade e a astúcia, de ser professor de javanês. Por conta disso é que ganhou o consulado. 
Quando chegou ao Rio de janeiro, estava literalmente na miséria. Vivia de pensão em pensão, sem saber como ganhar dinheiro, foi quando leu um anúncio no jornal dizendo que precisavam de um professor de javanês para traduzir livros cartas. Percebendo que estava ali uma colocação que não teria muitos concorrentes, decidiu aprender umas quatro palavras e apresentar-se.
Na Biblioteca Nacional, descobriu que Java era uma grande ilha do arquipélago de Sonda, colônia holandesa, e o javanês, língua do grupo malaio-polinésio, possuía uma literatura escrita em caracteres derivados do velho alfabeto hindu. Então, ele copiou o alfabeto, a sua pronunciação e saiu pelas ruas memorizando hieróglifos e escrevendo-os na areia para se habituar a escrevê-los.
Castelo voltou a procurar o anúncio e redigiu uma carta e deixou no Jornal. Em dois dias, recebeu uma carta para ir falar com o Doutor Manuel Feliciano Soares Albernaz, Barão de Jacuecanga. Diante do ancião, Castelo se apresentou como o professor de javanês de que ele precisava. O velho quis saber onde tinha aprendido o javanês. Aquele não contava com essa pergunta, mas imediatamente inventou uma mentira. Contou-lhe que seu pai era javanês, que viera à Bahia como tripulante de um navio mercante, estabelecera-se em Canavieiras como pescador e se casara com sua mãe. Convencido, o Barão disse que queria cumprir um juramento de família. Ao morrer seu avô deu o livro pro seu pai, que lhe deu para guardá-lo e um dia entendê-lo, para a sua raça ser sempre feliz.
O velho Barão explicou que perdera todos os filhos, sobrinhos, só lhe restando uma filha casada, cuja prole, estava reduzida a um filho débil de corpo e de saúde frágil. Diante de tanto desterro, lembrou-se do livro esquecido e das palavras do seu avô repetidas pelo seu pai no leito de morte. O livro era um velho calhamaço encadernado em couro, impresso em grandes letras, em um papel amarelado e grosso. Tinha umas páginas de prefácio, escritas em inglês, onde estava escrito que se tratava das histórias do príncipe Kulanga, escritor javanês de muito mérito.
A filha e o genro vieram a ter notícias do estudo do velho, mas não se incomodaram, até julgaram que seria uma coisa boa para distraí-lo. O marido da filha do barão era desembargador, homem relacionado e poderoso que nutriu grande admiração pelo professor de javanês. Por sua vez, o barão estava contentíssimo. Ao fim de dois meses, desistira da aprendizagem e pedira-lhe para traduzir, um dia sim outro não, um trecho do livro encantado. 
O barão convidou Castelo para morar em sua casa e o encheu de presentes, além de aumentar o seu ordenado.  Contribuiu para isso o fato de o velho vir a receber uma herança de um seu parente que vivia em Portugal. O bom velho atribuiu a coisa ao javanês. 
Castelo passou a ter, enfim, uma vida boa. O seu temor de ser descoberto foi grande quando o barão o mandou com uma carta ao Visconde de Caruru, para que lhe fizesse entrar na diplomacia. O visconde o mandou para a Secretaria dos Estrangeiros com diversas recomendações. O diretor chamou os chefes de seção e apresentou-lhe como um homem que sabia javanês. O velhaco foi à presença do ministro que o nomeou adido ao seu ministério e o designou para representar o Brasil em Bále, no congresso de Linguística.
O velho barão, antes de morrer, passou o livro ao genro para que o fizesse chegar ao seu neto quando tivesse a idade conveniente, também incluiu Castelo no seu testamento. A convite da redação, Castelo escreveu um artigo sobre a literatura javanesa antiga e moderna no Jornal do Comércio.
Certa vez a polícia prendeu um marujo que só falava em língua esquisita. Chamaram diversos intérpretes, ninguém o entendia. Castelo também foi chamado, demorou a ir, e quando chegou lá o homem já estava solto, graças à intervenção do cônsul holandês, a quem ele se fez compreender com meia dúzia de palavras holandesas. Deu muita sorte porque o tal marujo era javanês.
Castelo se tornou cônsul em Havana, onde aperfeiçoou seus estudos nas línguas da Malaia, Melanésia e Polinésia. Castro ficou extasiado com a história de Castelo e, agarrando o copo de cerveja tomou um longo gole e disse brincando ao amigo que ele poderia ser o que quisesse, até um eminente Bacteriologista, tal era sua esperteza.

LÚCIA HELENA DA ENCARNAÇÃO - Acadêmica de Pedagogia - Unaerp/Guarujá

KIRIKU E A FEITICEIRA resenha

         Filme francês produzido em 1998 e dirigido por Michel Ocelot em formato de desenho animado. A obra retrata uma lenda africana que relata valores essenciais à formação do indivíduo, tais como respeito, coragem, bondade e amor ao próximo.
Em uma aldeia distante uma mãe solitária sentada no chão da sua morada espera pelo nascimento de seu filho. Para sua surpresa, o bebê, que ainda dentro da barriga já falava, nasceu correndo e foi se banhar sozinho.
O minúsculo menino se autodenominou Kiriku e passou a fazer um monte de perguntas para a sua mãe. Em uma de suas indagações quis saber onde estavam os homens da aldeia e sua mãe respondeu que tinham ido combater Karabá, a feiticeira, mas não voltaram jamais.
Dentre outras maldades, a feiticeira também havia cortado o fornecimento de água da aldeia e todos, para não perecerem de sede, tinham que buscar o líquido muito longe. Diante disso o pequenino decidiu ir combater a vilã em seu castelo junto com seu tio que era um dos últimos guerreiros da aldeia.
Seu tio, por sua vez, não queria deixá-lo ir por ser muito pequeno, mas o petiz insistiu tanto que foi dentro do chapéu do guerreiro. Lá chegando, a feiticeira pensou que o chapéu que falava era mágico e exigiu que o guerreiro o deixasse em troca da paz na aldeia. Relutante o tio acabou cedendo e deixando o chapéu, supostamente mágico, com Karabá. Mas, quando a bruxa descobriu que fora enganada ela resolveu impor mais castigos à aldeia, inclusive queimando algumas moradas.
Por que a feiticeira era tão má? Sempre perguntava o pequeno recém-nascido. Essa resposta sua mãe disse para ele ter com seu avô do outro lado da montanha sagrada. Mas para chegar até lá seria necessário passar pelo castelo da feiticeira e ninguém havia conseguido.
Enquanto pensava numa maneira de ir até a montanha sem ser visto, Kiriku resolveu investigar o problema da fonte que parara de jorrar. Intrépido entrou pela pequena abertura por onde deveria sair água e seguiu até encontrar um monstro que estava bebendo toda água. Com o punhal que pertencera a seu pai ele furou a barriga do monstro fazendo vazar toda água que jorrou abundante. Isso só deixou a bruxa ainda mais furiosa com o menino.
Decidido este foi procurar seu avô e, valendo-se de sua astúcia, conseguiu transpor a montanha sem ser visto. Já diante do sábio, soube que a feiticeira só era má porque haviam espetado um espinho envenenado em suas costas e ela sofria muito com isso, mas não havia ninguém que pudesse lhe ajudar. E também soube que o espinho é que dava os poderes a ela.
Com muita valentia o veloz Kiriku conseguiu finalmente retirar o espinho encantado das costas da feiticeira tornando-a boazinha novamente. Ela ficou muito agradecida e o beijou. Assim como num toque de mágica, com o beijo, o pequenino bebê se transformou num formoso guerreiro e foram juntos à aldeia para anunciar as boas novas.
Mas os membros da aldeia não reconheceram Kiriku e fugiram com medo da feiticeira sem acreditarem que ela havia ficado boazinha.
A mãe do nosso herói finalmente reconheceu o filho querido, mas não acreditaram na feiticeira. Só acreditaram quando o sábio avô chegou e explicou o ocorrido.
Sem a figura maligna da feiticeira a aldeia ficou em paz e todos festejaram a volta dos seus guerreiros que haviam sido transformados em guardiães da malvada.
História muito interessante que retrata a importância da persistência e o desapego às aparências.

LÚCIA HELENA DA ENCARNAÇÃO - Acadêmica de Pedagogia - Faculdade UNAERP- Guarujá/SP

sábado, 20 de abril de 2013

Josenilton.adv: O CHALAÇA resenha

Josenilton.adv: O CHALAÇA resenha:              A obra O CHALAÇA foi escrita por José Roberto Torero em 1999 e publicada pela EDITORA OBJETIVA LTDA, (3ª edição), foi basea...

sexta-feira, 12 de abril de 2013

VISTA A MINHA PELE resenha


            Filme dirigido pelo cineasta Joel Zito Araújo e produzido por Casa de Criação/Ceert, 2004, São Paulo.
O autor faz uma releitura da história do Brasil, onde, os brancos seriam os negros e os negros seriam brancos. Em sua versão, o mundo fora explorado e colonizado pelos negros da rica África, e a Europa seria um continente pobre, ele inverte os papéis.
O Brasil, particularmente, teria sido colonizado pelos negros, senhores ricos que escravizavam os brancos capturados na Europa. Então, a história é contada mostrando as injustiças sofridas pelos negros, mas, na pele de pessoas brancas.  
Maria, uma menina branca e pobre, que morava na favela como a maioria dos brancos, estudava em um colégio particular por conta de uma bolsa de estudos que ganhara por sua mãe ser faxineira da escola. Os trabalhos subalternos sempre ficavam para os brancos e pobres.
Na escola Maria era sempre hostilizada pelos seus colegas por causa de sua cor e por sua condição social. Até os professores duvidavam de sua capacidade de aprendizagem.
Maria, mesmo sendo uma das únicas brancas do colégio, teve a pretensão de ser a miss festa junina da escola, embora todo ano quem sempre vencia era a Sueli, uma linda menina negra.
Sueli era a favorita da escola, todos os meninos negros e de boa família queriam ser amigo dela ou seu namorado. Até Maria a admirava, gostava de seus cabelos crespos e a imitava fazendo permanente, e admirava mais ainda a cor da sua pele. Em seu íntimo Maria se maldizia por não ter nascido preta.
A ideia de ser miss não era aceita por seus familiares, seu pai sempre dizia que ela tinha que andar com os pés no chão. Ser miss não era para menina de sua cor. Já sua mãe a apoiava e a incentivava dizendo que deveria lutar pela afirmação de sua raça.
Um colega da menina que também morava na favela e era branco como ela, lhe falava que era besteira estudar, que precisava trabalhar para ajudar a sua família e que ela deveria fazer a mesma coisa, estudar era para rico e negro.
Então, Maria resolveu enfrentar tudo e a todos, não se importando se ia vencer ou não o concurso. Em sua candidatura, apesar de muito preconceito, Maria também recebeu muito apoio, principalmente de sua amiga Luana que era negra e rica, filha de um diplomata, e tinha morado em outros países, conhecendo outras realidades e entendia todas as aflições que Maria passava.
Apesar da resistência e dificuldade na venda dos bilhetes, elas não se intimidaram foram à luta e conseguiram vender todos os carnês. O esforço de Maria para ser “Miss Festa Junina” da escola era muito grande tinha que superar o padrão de beleza imposto pela mídia, em que só o negro era valorizado.
Já Sueli sua oponente, não teve dificuldades nenhuma para vender seus votos, tinha todos os requisitos para ser miss, além de ter um rosto bonito, era negra, alta, magra e muito simpática, todos na escola a admiravam. Ela era perfeita.
Então, chegou o grande dia da contagem de votos para saber quem seria a vencedora e que ficaria com o título tão desejado.
Maria estava apreensiva com o resultado, mas descobriu que no meio dessa luta ela se fortaleceu, mesmo que não ganhasse como “Miss Festa Junina”, mesmo assim sairia vencedora.
A pobre menina branca tomou consciência de sua condição e descobriu que poderia lutar pelos seus objetivos e enfrentar qualquer situação adversa. Que a cor de sua pele não era um obstáculo para conquistar ideais em sua vida.
O filme mostra a discriminação racial e o sofrimento de um povo, branco ou negro, que convive diariamente com o preconceito e descobre que só travando batalhas e buscando seus objetivos, sem medo, poderá mudar essa situação. 

LÚCIA HELENA DA ENCARNAÇÃO - Acadêmica de Pedagogia - Faculdade UNAERP- Guarujá/SP

Josenilton.adv: Contos Gauchescos NO MANANTIAL resenha do livro

Josenilton.adv: Contos Gauchescos NO MANANTIAL resenha do livro: Edição especial para distribuição gratuita pela internet através da virtualbooks. Site <www.virtualbooks .com.br> O autor João Simõ...

A COR DA TERNURA resenha

            A 12ª edição do livro de literatura infanto-juvenil escrito por GENI GUIMARÃES foi publicado em 1998 pela EDITORA FTD S.A., São Paulo. Tem dez capítulos em 93 páginas, com ilustrações de SARITAH BARBOSA.
Trata-se de uma autobiografia da autora que conta como fora sua infância pobre ao lado de seus pais e irmãos em fazendas no interior do estado de São Paulo.
A professora Geni Guimarães nasceu em 08 de setembro de 1947 na fazenda Vilas Boas na cidade de São Manoel e aos cinco anos de idade mudou-se com sua família para outra fazenda em Barra Bonita, também para trabalharem na lavoura de café.
Na adolescência, colaborou com jornais publicando contos poemas e crônicas. Em 1979 foi editado seu primeiro livro de poemas chamado Terceiro Filho. Após sua segunda obra publicada em 1981, entrou em contato com a poesia negra, o que a levou, por motivos de identidade, a definir a sua linha de trabalho. Participou de eventos culturais nacionais e internacionais de literatura. Ganhou o prêmio Jabuti/Autor revelação/1990 – menção especial-UBE/RJ/1991.
A autora relata fatos importantes de sua infância junto à sua família. Ela conta que, quando era menina já um pouco crescida, ainda mamava no peito de sua mãe. Enquanto mamava, trocava carinhos com ela, o leite que alimentava também ajudava a solidificar os laços entre elas. Também fazia muitas perguntas desconcertantes para sua mãe. Certa vez, entre uma brincadeira e outra perguntou se sairia sua tinta se chovesse “água de Deus”. Sua mãe, meio sem jeito, disse-lhe que tinta de gente não saia, mas, se saísse, ela ficaria branca e a mãe continuaria preta. Ali a pequena já estava, de certa forma, tomando consciência da diferença de sua cor. 
Geni conta que só deixou de mamar quando sua mãe ficou grávida de seu irmãozinho. Com a chegada do Zezinho a menina foi deixada de lado e, para atrair a atenção de sua mãe, ela deixou de comer e fez-se doente, só queria saber de dormir, estava morrendo de ciúmes. Aos poucos ela foi aprendendo a gostar do bebê e até ajudava a cuidar dele, mas, não conformada com aquela vida sem atrativos passou a conversar com os bichos. Levada à benzedeira, foi constatado que ela estava com um encosto, ao seu lado direito estava o espírito do coisa-ruim chamado Zumbi. Pela manhã, resolveu dar um basta em tudo e parou de latir feito cachorro.
Assim a menina foi crescendo e aprendendo a conviver com ofensas e xingamentos como: boneca de piche; cabelo de Bombril, negrinha; dentre outros. Sua mãe dizia para não dizer nada fingir que não escutou para não brigar com o filho do administrador. Sempre ouvia as histórias do tempo da escravidão contadas pela Vó Rosária onde os negros eram rebeldes, por isso viviam brigando com os brancos, foi preciso a Princesa Isabel intervir e libertar os escravos. Santa Isabel, ela dizia.
Finalmente chegou o dia de ir para a escola junto com todos os meninos e meninas de sua idade. Sua mãe a cobriu de recomendações com a higiene dizendo que a professora a colocaria de castigo no milho se fosse descabelada e com remela no olho ou meleca no nariz. Mas eu já vi a Janete indo pra escola com ramela no olho, argumentou. A Janete é branca, respondeu sua mãe. Eu era negra, a Janete era branca, resmungava.
No segundo ano ela já fazia versos e quando o professor elogiou sua letra bonita resolveu fazer um verso sobre os negros e a Princesa Isabel.
Nas aulas falavam sobre a escravidão de negros medrosos, covardes, submissos, que não reagiam aos maus tratos dos senhores, que não lutavam e que se deixaram escravizar.
Bom mesmo era homenagear Caxias, Tiradentes e os Don Pedros, verdadeiros heróis, não os idiotas dos negros que não se defendiam. Vergonhosa raça medrosa, sem histórias, morriam feito cães. Negro é tudo mole, inclusive seu pai e sua mãe, por isso tinham medo de tudo.
Um dia, quando seu pai desenrolava um pedaço de fumo de um jornal se deparou com a figura do Pelé em uma reportagem. Em meio à leitura, seu pai, altivo, lhe disse o quanto admirava aquele rapaz que era como eles e havia vencido. De estalo, ela disse que seria professora para livrar seu pai das durezas da vida, ele riu e a incentivou dizendo que se fosse preciso se acabaria no cabo da enxada para ela estudar.
Seu pai a esperava todo dia na vinda do ginásio, e vinham de mãos dadas pelo caminho de casa. O administrador os interpelou, certa feita, e tentou desestimular o estudo da menina dizendo que os negros eram fortes para o trabalho e estudar era bobagem, principalmente mulher.
Finalmente tornou-se adulta com seus medos e ansiedades, buscando forças para ser forte, mulher formada. Todos se arrumaram para a colação de grau. Seus pais não se continham de orgulho e aplaudiam de pé a oradora da turma. Naquela noite, sentindo-se um rei explodindo de orgulho, seu pai dormiu com o diploma de sua professorinha debaixo do travesseiro para ter bons sonhos.
Geni conseguiu seu primeiro emprego como professora substituta na primeira série era a única professora negra. No primeiro dia de aula uma criança não quis entrar na sala de aula dizendo que tinha medo de professora preta. A diretora quis contornar a situação levando a menina para outra sala, mas Geni pediu um tempo para provar sua igualdade e competência.
Por fim ganhou a confiança da menina e de todos na escola. Lembrando-se dos ensinamentos do seu pai, sentiu-se representante e condutora do seu povo a lugares de harmonias, tendo como arma as palavras.
Uma história de perseverança e superação.

LUCIA HELENA DA ENCARNAÇÃO – acadêmica em pedagogia na faculdade UNAERP de Guarujá.



terça-feira, 2 de abril de 2013

CAPITÃES DA AREIA resenha


            Romance publicado em 1937 pelo escritor baiano Jorge Amado. –5ª edição, Martins Editora S.A., São Paulo.
A história que é ambientada em Salvador, capital da Bahia e tem seu início com a publicação de cartas no jornal local dirigidas às autoridades que se justificavam por não poderem conter a onda de violência praticada por um grupo conhecido como Capitães da Areia. Segundo diziam, eram mais de cem bandidos perigosos. O mais velho do bando tinha no máximo dezesseis anos. Ninguém sabia onde se escondiam. O povo pede providências, dizia o jornal. Mas, uma leitora indignada escreveu dizendo que preferia ver seu filho com os Capitães da Areia do que tê-lo no reformatório, que era um inferno. O padre João Pedro concordou com ela e ficou mal visto pelas autoridades.
Na verdade, eram órfãos abandonados, que tinham como únicos amigos adultos o padre, a mãe-de-santo Don`aninha e o pescador Querido-de-Deus. O líder tinha treze anos e se chamava Pedro Bala, ele era filho de um sindicalista que foi morto durante uma greve. Os Capitães da Areia vadiavam pelos becos de Salvador e dormiam num trapiche abandonado do velho cais. Essas crianças sequer nomes tinham, eram chamadas por apelidos. Era um grupo relativamente organizado de meninos que viviam como adultos para sobreviver. Quase sempre se dividiam em subgrupos comandados por “homens” de confiança do chefe. Eram eles: Volta Seca, que se dizia afilhado de Lampião e sonhava um dia em ser cangaceiro; o Professor, que aprendera a ler sozinho e era sempre ouvido pelo chefe e por todos; o Gato, que com seu jeito de malandro, seduzia as prostitutas; Sem Pernas, o mais malvado do grupo, se fazia de coitadinho para se e se infiltrar nas casas para furtar; o negro João Grande, que tinha um coração do seu tamanho e protegia os meninos menores; o Pirulito, muito religioso e preferido do padre, rezava antes e depois de praticar os furtos; tinha também o negrinho Barandão que se tornou chefe depois que o Bala saiu da chefia; Dora era a única menina admitida entre eles e se tornara como mãe e irmã para todos, diziam que era mais valente que muitos homens.
À medida que iam crescendo, os já rapazes, iam deixando o bando, seguindo cada qual o seu próprio destino, mas sempre chegavam novos meninos; o Sem Pernas se matou para não ser preso; o Pirulito seguiu sua vocação e entrou para o seminário, Pedro Bala virou ativista sindical. Ao final, o conhecido camarada Pedro Bala estava perseguido pelas polícias de cinco Estados como organizador de greves, atuando em partidos ilegais. Tornou-se um revolucionário admirado pelas pessoas de sua classe.
A obra relata a vida de crianças órfãs largadas à própria sorte pelas ruas da cidade e que, sem ter apoio das autoridades, se uniram para sobreviver praticando delitos.

LÚCIA HELENA DA ENCARNAÇÃO - acadêmica da 5ª etapa do curso de pedagogia, da Faculdade UNAERP - Campus Guarujá - 2013.  
                                    

BICHO DE SETE CABEÇAS resenha


                   Filme de drama brasileiro de 2001, dirigido por Laís Bodanzky e com roteiro de Luiz Bolognesi baseado no livro de Austregésilo Carrano Bueno, ex-interno de um manicômio, que relata a crueldade vivida durante o tempo que esteve numa instituição de “recuperação” de doentes mentais. Tornou-se um ativista na causa da extinção dos manicômios no Brasil.
Neto era um adolescente normal, o segundo filho de uma família de classe média de São Paulo. Certa feita, seu pai, que era muito conservador e zeloso da família, encontrou, por acaso, um cigarro de maconha que caíra do bolso de sua blusa. Convicto de que seu filho estava com problemas de drogas, já que ultimamente vinha se comportando de forma esquisita, o pai decidiu procurar ajuda médica. Com a influência da irmã mais velha que conhecia umas pessoas, o pai conseguiu internação para Neto em uma clínica.
Ninguém de fora tinha ideia do inferno que os pacientes viviam lá dentro do manicômio onde Neto fora internado. A visita de familiares aos doentes era controlada e, só havia depois dos primeiros quinze dias de internação. Nesse tempo, o paciente recebia, além de potentes calmantes, também, remédios para abrir o apetite. Os familiares quando viam o paciente bem mais corado, mais gordo, acreditavam que estava sendo bem tratado.
Por mais que Neto tentasse falar ao seu pai sobre o que estava sofrendo naquela internação, ele não acreditava. Os médicos já o tinha preparado para não acreditar no doente. Neto não conseguia dizer e por mais que dissesse ninguém acreditava que ele estava tomando, além de muitas porcarias químicas, também, choque elétrico na cabeça, ficava trancado em quarto escuro sem ventilação todo sujo de urina e fezes. Sua situação só estava piorando, agora estava ficando realmente um doente mental.  
Devido à tristeza que se encontrava a mãe de Neto, seu pai decidiu levá-lo de volta para casa, mas ele não ficou bem. Neto tentou voltar à vida normal, arranjou um emprego, mas não conseguiu mantê-lo. Certa noite numa balada, após ter bebido muito, Neto levou uma moça para o banheiro e descobriu que os remédios o deixaram impotente sexualmente, revoltado, quebrou tudo que viu pela frente e a polícia foi chamada. Neto foi preso e encaminhado para outra “clínica de recuperação” para pessoas violentas e desequilibradas. Ele conheceu o inferno pela segunda vez, ao ponto de tentar se matar tocando fogo na cela onde estava confinado. Quando seu pai finalmente percebeu o mau que fizera  internando-o, já era tarde, já havia muitas sequelas. Na cena final, pai e filho, ambos visivelmente derrotados e destruídos como pessoas, ficam sentados numa praça, apáticos, vazios, olhando para o nada.
Felizmente, após muita luta de ativistas como o autor do livro que mostraram para o mundo os horrores vividos no interior dos manicômios, estes foram desativados.

LÚCIA HELENA DA ENCARNAÇÃO - acadêmica da 5ª etapa do curso de pedagogia, da Faculdade UNAERP - Campus Guarujá - 2013 .  
                                    

SOM DO CORAÇÃO resenha


O filme americano “August Rush”, título em português “Som do Coração”, de 2007, é um drama produzido por Richard Barton Lewis, dirigido por Kirsten Sheridan, escrito por Nick Castle, James V. Hart, Kirsten Sheridan e Paul Castro.
O personagem Evan Taylor vive em um orfanato sem nada saber dos seus pais. Evan ouve sons que os outros meninos não ouvem e por isso o chamam de anormal. Ele acredita que se perdeu dos seus pais e os encontrará através dos sons que houve. A mãe de Evan é Lyla Novacek, violoncelista da Sinfônica de Nova York, e o pai é Louis Connelly, um roqueiro de São Francisco. Eles se conhecem numa festa em Nova York e acabam passando a noite juntos. No dia seguinte, o pai de Lyla a obriga a sair de New York. Ela descobre que está grávida e, aos nove meses sofre um acidente e seu pai lhe diz que perdera seu filho. Lyla para de tocar. Louis, em São Francisco, também para de tocar, e ambos não se sentem felizes.
Aos “onze anos e dezesseis dias” de idade, Evan foge do orfanato em busca dos seus pais. Nas ruas de Nova Iorque, onde foi parar, ele vagueia sem rumo quando vê o menino Arthur tocando guitarra na praça. Atraído pela música ele o segue e encontra Wizard, “o Mago”, um velho músico que o abriga num teatro abandonado junto com outras crianças. Evan aprende a tocar vários instrumentos com os outros meninos. Astuto, Wizard lhe dá o codinome de August Rush e o faz tocar nas praças por dinheiro.
Doente, o pai de Lyla confessa que no dia que fora atropelada, ele deu seu filho para a adoção. Lyla, surpresa, sai pelos orfanatos tentando encontrar seu filho.  
Evan abandona o Mago e conhece um pastor evangélico que o leva para estudar em uma famosa escola de música. Evan se torna um gênio da música e escreve uma peça que vai ser tocada pela Filarmônica para milhares de pessoas no Central Park. Por coincidência, Lyla Novacek, volta a tocar na orquestra. No dia do concerto, Evan se atrasa por causa do Mago que o chantageia, mas consegue chegar a tempo de reger sua obra. Ao mesmo tempo, Louis que volta a tocar em New York, vê o nome de Lyla no anúncio do concerto e se aproxima do palco onde Evan está se apresentando e a encontra admirando o filho que acaba de encontrar. Ao término do concerto os três se entreolham e se reconhecem. E o filme termina com o Evan dizendo “A música está ao nosso redor, a gente só precisa ouvir”.
A trilha sonora do filme é feita de músicas clássicas, rock e baladas românticas entre outras. A história nos mostra o quanto a música aproxima as pessoas e que os laços afetivos não se perdem através da distância, mantêm-se forte superando todos os obstáculos que a vida possa reservar.


LÚCIA HELENA DA ENCARNAÇÃO - acadêmica da 5ª etapa do curso de pedagogia, da Faculdade UNAERP - Campus Guarujá - 2013 .  
                                    

O PEQUENO PRÍNCIPE resenha

            O Pequeno Príncipe é uma fábula francesa narrada em primeira pessoa, escrita por ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY. O livro foi escrito em 1940 com o título original: Le petit Prince e impresso pela editora Reinal & Hitcock em 1943, nos Estados Unidos.  No Brasil, foi traduzido, em 2003, por DOM MARCOS BARBOSA, e esta, é a 48ª edição/ 9ª impressão pela editora AGIR - Rio de Janeiro. Contém 27 capítulos em 96 páginas, com desenhos e ilustrações do próprio autor.
O escritor ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY nasceu em 1900 na França e faleceu em 1944 no Mediterrâneo, foi exilado de 1941 a 1943 nos Estados Unidos onde publicou sua obra, ainda em vida.
O Autor conta como se deparou com a personagem protagonista da fábula, quando fizera um pouso forçado no deserto do Saara, onde ficara por alguns dias.
Quando criança gostava de desenhar, mas, foi desencorajado pelas ditas “pessoas grandes” que não compreendiam sua obra e, ele achava cansativo ficar explicando.Ao crescer se tornou aviador e, num dos seus vôos seu avião sofreu uma pane no motor, o que o obrigou a fazer um pouso de emergência no deserto.
Sozinho e com pouca água para beber, teve que realizar um difícil conserto que levou alguns dias. Cansado, adormeceu e, ao amanhecer ficou surpreso ao se deparar com um homenzinho que lhe pediu  para desenhar um carneiro. srsando ele, descobriu que se tratava de um ser extraterrestre e o chamou de “Pequeno Príncipe”. Este lhe contou o quanto o seu planeta, B612, que se achava nas regiões dos asteróides 325, 326, 327, 328, 329, 330 era dotado de várias curiosidades. Contou também que visitara esses asteróides, e viu que cada qual tinha uma particularidade. O primeiro planeta visitado, o asteróide 325, era habitado por um rei sem súditos, o segundo, 326 por um vaidoso, o terceiro, 327, por um bêbado, o quarto, 328, por um empresário, o quinto planeta, 329 era habitado por um acendedor de lampião, o sexto asteróide por um velho que escrevia em livros enormes, o sétimo e último planeta visitado foi a Terra, o maior de todos, onde aprendeu a cultivar valores como a amizade dentre outros.
No oitavo de dia de pane ficou sem água, mas o principezinho o ajudou a encontrar uma fonte. Em seguida, seu amigo príncipe despareceu, partira em silêncio, houve apenas um clarão perto de sua perna. Tombou lentamente como uma árvore tomba. Era tudo muito confuso, parecia estar sonhando.
Passados seis anos, o aviador jamais contou essa historia aos seus amigos, que se sentiram muito felizes ao vê-lo são e salvo depois do acidente que sofrera no deserto. Mas, para ele, restou uma grande tristeza e saudade do seu mais novo amigo, que o ajudou a se virar no deserto além de despertar em si o antigo dom do desenho.

LÚCIA HELENA DA ENCARNAÇÃO - acadêmica da 5ª etapa do curso de pedagogia, da Faculdade UNAERP - Campus Guarujá - 2013 .  
                                    

O Nome da Rosa resenha

Filme baseado na obra do escritor e filósofo italiano Umberto Eco, nascido em 1932, que dedicou os primeiros anos de sua carreira ao estudo da estética medieval, sobretudo aos textos de S. Tomás de Aquino.
O Nome da Rosa foi exibido nos cinemas em 1986, sendo dirigido por Jean-Jacques Annaud. No papel de Guilherme de Baskerville, protagonista da história, estava o ator inglês Sean Connery que contracenou com outras grandes figuras do cinema como Christian Slater e Ron Perlman. O roteiro ficou por conta de Andrew Birkin, que também participou da adaptação da história de Joana d’Arc para o cinema.
Num mosteiro da idade medieval do século XIV o assassinato de sete monges em sete dias e sete noites, desafia o extraordinário talento dedutivo de um sábio franciscano inglês que fora enviado para esclarecer as mortes. Apesar dos fatos, os monges queriam atribuir aos eventos macabros às forças demoníacas. A igreja tendia a ver coisas diabólicas em tudo que acontecia, e castigava severamente a quem duvidasse dos seus dogmas.   
As abadias ou mosteiros exerciam uma grande influência sobre os povos que se desenvolviam em torno delas e que viviam em sua função.
Os assassinatos estavam diretamente ligados aos livros de filósofos gregos, em especial a um certo livro de Aristóteles. Este clássico tivera suas páginas envenenadas e quem o folheasse, ao molhar o dedo na boca para virar as páginas, acabava morto. As autoridades eclesiásticas proibiam estes livros por julgarem que continham ensinamentos que colocavam em dúvida os dogmas da igreja. Esta obra de Aristóteles em especial, era uma comédia satírica e, portanto proibida, pois os ensinamentos da igreja diziam que o riso fazia esquecer o diabo e o diabo era necessário para que se temesse e se buscasse a Deus. Também, ao contrário dos filósofos que diziam que o saber edifica o homem, os padres afirmavam que o saber os corrompia, portanto, escondiam ou destruíam os clássicos gregos. 
Apesar dos impedimentos a trama foi desvendada pelo investigador, mas a Abadia com sua estupenda biblioteca pegou fogo destruindo todo acervo, só restando alguns exemplares que este conseguiu salvar das chamas.  
Sendo assim, a película nos mostra de que formas a igreja impunha a inquisição, com seus dogmas e valores autoritários aos monges e a população que, de certo modo, dependia dos mosteiros.

LÚCIA HELENA DA ENCARNAÇÃO - acadêmica da 5ª etapa do curso de pedagogia, da Faculdade UNAERP - Campus Guarujá - 2013 .